sexta-feira, fevereiro 09, 2007

Rocky estréia no Brasil

FICHA TÉCNICA

Título Original: Rocky Balboa
Gênero: Drama
Tempo de Duração: 102 minutos
Ano de Lançamento (EUA): 2006
Site Oficial: www.mgm.com/rocky
Estúdio: MGM / Columbia Pictures Corporation / Revolution Studios / Chartoff-Winkler Productions / Rogue Marble
Distribuição: MGM / 20th Century Fox Film Company
Direção: Sylvester Stallone
Roteiro: Sylvester Stallone, baseado nos personagens criados por Sylvester Stallone
Produção: William Chartoff, Kevin King, Charles Winkler e David Winkler
Música: Bill Conti
Fotografia: J. Clark Mathis
Desenho de Produção: Franco-Giacomo Carbone
Direção de Arte: Michael Atwell e Jesse Rosenthal
Figurino: Gretchen Patch
Edição: Sean Albertson

TRILHA SONORA DE ROCKY BALBOA

Agora, 13 anos depois de Rocky V, Stallone resolveu dar um fim melhor ao seu personagem e Conti mais uma vez é o responsável pela trilha sonora de Rocky Balboa. Quase que toda apenas instrumental, a trilha de Rocky Balboa é um tributo a todos os outros filmes da franquia. Músicas de filmes anteriores estão ali, além de uma nova roupagem para “Gonna Fly Now”, o famoso tema de Rocky. A única música inédita na trilha sonora é a canção tema: “Still Here” interpretada por Natasha Bedingfield. Além da canção “High Hopes”, interpretada por Frank Sinatra. Pelo título da canção tema e a presença de “High Hopes”, já dar para ter uma idéia de como será a despedida de Rocky do seu público.

PERFIL DE SYLVESTER STALLONE

Muitos dizem que o “sonho americano” é conseguir ter sucesso na vida através de esforço próprio e muita determinação. Poucos são os que conseguem e com certeza Sylvester Stallone é um exemplo de sucesso. Filho de um imigrante siciliano e uma astróloga, o ator que nasceu no dia 6 de julho de 1946, foi criado em Hell’s Kitchen, uma área reconhecidamente pobre e violenta de Nova York. Após uma infância e adolescência conturbada, onde se acreditava que o futuro de Stallone seria a prisão, ele conseguiu ingressar uma faculdade (University of Miami), mas muito próximo de sua formatura largou tudo para se dedicar a carreira de ator.

Aos 24 anos Stallone conseguiu um papel em uma produção de gosto pra lá de duvidoso. Na verdade um filme pornô de baixo orçamento, O Garanhão Italiano (Party at Kitty and Stud’s – EUA, 1970). Esse filme foi modificado anos depois quando Stallone se tornou um astro de grande importância. Cenas mais fortes foram cortadas e um novo título foi dado a ele: The Italian Stallion, fazendo referência ao personagem Rocky Balboa.

Mas antes de Rocky Balboa surgir na vida do ator ele apenas conseguia pequenos papéis em alguns filmes de destaque. Uma rápida aparição em “Bananas” (Bananas – EUA, 1971) de Woody Allen. Um dançarino de discoteca em “O Passado Condena” (Klute - EUA, 1971) de Alan J. Pakula. E um jovem assaltante de pequenos furtos em “O Prisioneiro da Segunda Avenida” (The Prisoner of 2nd Avenue – EUA, 1975), de Neil Simon e dirigido por Melvin Frank.

Em 1974, Sylvester Stallone ganhou seu primeiro papel de destaque, no filme que se tornou cult, “Os Lords de Flatbush” (The Lords of Flatbush – EUA, 1974), sobre uma gangue (Os Lords) dos anos 50, composta por rapazes com jaquetas de couro e atitude de malvados, moradores de Flatbush, no Brooklyn, Nova York. Dirigido por Martin Davidson e Steve Verona, o filme era estrelado por Henry Winkler e Stallone, que também ajudou no roteiro como co-roteirista.

Essa pequena experiência como roteirista em um filme, levou o ator a realizar o primeiro grande sucesso de sua carreira. Após assistir uma luta entre Muhammad Ali e Chuck Wepner, Stallone escreveu em apenas três dias o roteiro de Rocky – Um Lutador (Rocky – EUA, 1976). Roteiro embaixo do braço, Stallone tentaria vender a história e a si mesmo para os grandes estúdios. Acabou esbarrando com os produtores Robert Chatoff e Irwin Winkler, que gostaram muito do roteiro, mas nenhum pouco da idéia de Stallone ser a estrela do filme. Nomes como Burt Reynolds e James Caan foram cogitados para o papel, que por fim acabou sendo mesmo de Stallone, depois de muita insistência e perseverança dele em mostrar que ninguém mais poderia ser o lutador de boxe.

Rocky conquistou público e crítica, e era nítido que ali Stallone usara o mundo do boxe para falar um pouco de sua própria vida. Rocky era um homem comum procurando melhorar de vida, que acabava conquistando fama e glória, assim como Stallone conseguiria a partir daquele filme. O filme, dirigido por John G. Avildsen, foi gravado em apenas 28 dias. Concorreu a 10 Oscars, entre eles o de melhor filme, roteiro e melhor ator. Ganhou três, melhor filme de 1976, melhor diretor e melhor edição.

Após o sucesso de Rocky, Stallone estrelou dois filmes que não chamaram tanta atenção, mas em ambos ele participou indo além de apenas atuar. Em “A Taberna do Inferno” (Paradise Alley – EUA, 1978), fez seu debut como diretor, além de também ter sido roteirista e em “F.I.S.T.” (EUA – 1978) também fez o roteiro. Conta a história de um líder sindicalista da década de 30, que lembra muito Jimmy Hoffa. Em 79 o ator voltou a vestir o short de Rocky Balboa e dessa vez além de assinar o roteiro, também o dirigiu. Rocky II começava de onde parou o primeiro, e mais uma vez conseguia chamar atenção do público e da crítica especializada. De 1979 a 1985, o mundo ainda ganhou mais duas seqüências: Rocky III em 1982 e Rocky IV em 1985.

Eram os anos 80 e Sylvester Stallone estava no topo do mundo. Rocky era uma lenda e já havia virado um dos personagens clássicos do cinema norte-americano. Ele se tornara uma estrela de grande importância, que fazia pontas divertidas em seus próprios filmes como em “Os Embalos de Sábado Continuam” (Staying Alive – EUA, 1983). Foi também nos anos 80 que Stallone nos apresentou um outro personagem que se tornaria clássico e depois muito copiado: John J. Rambo. Baseado no personagem do livro First Blood de David Morrell, o filme “Rambo – Programado Para Matar” (Rambo: First Blood – EUA, 1982), mostrava um Sylvester Stallone bombado, com uma metralhadora na mão e vestindo um pente de balas, além do famoso lencinho vermelho amarrado na testa, que se tornou a marca registrada do personagem. Rambo é um veterano da Guerra do Vietnã que tem dificuldades em voltar para sua vida normal. Após descobrir sobre a morte de um ex-colega de combate, acaba envolvido em uma emboscada no meio da floresta onde derrota praticamente um exército sozinho. Em sua “guerra de um homem só” Rambo se tornou um herói nacional, e em tempos de guerra fria e a briga por petróleo com os países da OTAN. No segundo filme (Rambo: First Blood II – EUA, 1985), Rambo volta para o Vietnã e no terceiro (Rambo III – EUA, 1988) vai parar no Afeganistão contra um dos exércitos mais cruéis do mundo e o vence sozinho. Desse modo Stallone e seu personagem se tornam o símbolo do exército norte-americano, sendo condecorado pelo próprio presidente dos EUA na época, Ronald Reagan.

Sentindo-se ameaçado por um novo rapaz vindo da Áustria, que assim como ele estrelava filmes de ação, chamado Arnold Schwarzenegger, Stallone aceitava cada vez mais papéis em que não precisava provar seu talento e sim seus músculos e habilidades com armas e os punhos. Assim ele estrelou filmes como “Cobra” (EUA, 1986), “Falcão” (Over the Top – EUA, 1987), “Rambo III” (EUA, 1988) e “Tango e Cash” (Tango & Cash – EUA, 1989).

Sua carreira que estava no auge, o fez tomar decisões acertadas, como se unir ao ator Bruce Willis e o seu ex-rival Arnold Schwarzenegger, para abrir a famosa cadeia de restaurante temático Planet Hollywood, além de terminar o casamento com a estranha Bridget Nielsen. Mas algumas decisões deveriam ter sido ignoradas, como a de rodar “Rocky V” (Rocky V – EUA, 1990), onde Stallone, agora em pleno anos 90, encarnava mais uma vez o papel de Rocky Balboa. “Rocky V” teve péssima recepção por parte do público e Stallone se sentiu perdido, o que o levou a fazer comédias (afinal Schwarzenegger estava fazendo, logo ele também podia). Ele primeiro foi um mafioso que queria largar a vida de crimes, mas várias circunstancias o impedem, em “Oscar – Minha Filha Quer Casar” (Oscar – EUA, 1991), fracasso de bilheteria. Não satisfeito, insistiu e fez o constrangedor “Pare, Senão Mamãe Atira” (Stop! Or My Mom Will Shoot! – EUA, 1992), que chegou a concorrer ao prêmio Framboesa de Ouro, uma paródia ao Oscar que “premia” os piores do cinema norte-americano.

A partir de então, com dois fracassos colossais nas costas, parecia que a carreira de Stallone estava em declínio. Ele atuou em “O Demolidor” (Demolition Man – EUA, 1993), onde voltava aos papéis de ação. “Risco Total” (Cliffhanger – EUA, 1993), outro fracasso em seu currículo. Voltando a ser notado em 1994 ao lado de Sharon Stone em “O Especialista” (The Specialist – EUA, 1994), quando tentou misturar sua veia dramática à sua faceta bruta dos filmes de ação, tudo com um pouco de sensualidade. Não funcionou. Fez então “Assassinos” (Assassins – EUA, 1995), ao lado do ator espanhol Antonio Banderas, nova sensação nos EUA. Também não funcionou. Foi preciso mandar Stallone ao futuro em “O Juiz” (Judge Dredd – EUA, 1995) e colocá-lo ao lado da nova namoradinha dos EUA na época, Sandra Bullock, para que sua carreira voltasse a chamar atenção. Nesse filme parecia que Stallone finalmente havia relaxado e brincava ele mesmo com sua reputação de malvado e bruto.

No final dos anos 90 Stallone começava a se reerguer e estrelou ao lado de seu filho o drama de ação “Daylight” (EUA, 1996), que apesar de fraco teve uma boa bilheteria e voltou a chamar a atenção do público. Mas foi em “Cop Land” (EUA, 1997) que Stallone finalmente conseguiu voltar a ser visto como um ator sério. Dirigido por James Mangold (“Garota Interrompida”), Stallone trabalhava ao lado de grandes nomes como Harvey Keitel, Ray Liotta e Robert De Niro. O filme que falava sobre corrupção dentro do departamento de polícia de Nova York, dividiu opiniões, mas sem dúvida foi um marco na carreira do ator. Dali ele continuou atuando em produções que não tiveram grande destaque, além de apresentar e produzir um reality show muito bem sucedido, sobre lutadores de boxe, chamado The Contender (apresentado no Brasil pelo canal People + Arts).

Porém Stallone faz o impensável e resgata Rocky Balboa. Quando todos pensavam que o personagem teria feito sua última aparição no quinto filme da série, Stallone anuncia um sexto e último filme com o personagem 13 anos depois do primeiro “Rocky”. Em Rocky Balboa (EUA, 2006) o personagem se encontrado aposentado dos ringues e dono de um restaurante, mas claro que a trama não pára aí. Rocky voltará para os ringues, porque o próprio Stallone não ficou satisfeito com o quinto filme e acha que os fãs merecem um final decente para o mais famoso pugilista do cinema. Lançado em dezembro nos EUA, o filme chega ao Brasil já com grande expectativa, já que esse último filme foi comparado com o primeiro, além de ter agradado e muito os fãs do personagem. Assim Stallone volta a brilhar sob os holofotes e já que ele trouxe de volta Rocky Balboa, por que não John J. Rambo? Sim, Rambo volta em 2008 no filme Rambo IV: Pearl of the Cobra.

O que prova que apesar do que todos sempre pensaram sobre Sylvester Stallone, de bobo ele não tem nada. Com seu jeito canastrão e sua fala enrolada, Stallone continua sendo uma estrela de muita importância para Hollywood, provando que o tempo passará, mas que através de seus dois famosos personagens, ele sempre será um ícone dentro da cultura pop norte-americana e mundial.

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