segunda-feira, março 03, 2008

Sly, Pelé, Rambo IV...

Reza a lenda que, aos 15 anos, Sylvester Stallone foi eleito por seus colegas de escola como "o mais provável a acabar na cadeira elétrica". Quinze anos mais tarde, impressionado por sua atuação em "Rocky, um Lutador" (1976), o crítico Roger Ebert dizia que ele poderia ser "o próximo Marlon Brando".
Hoje sabemos que Stallone não acabou na cadeira elétrica (fora a dos críticos, é claro) nem se tornou o novo Brando --transformou-se em um dos maiores (inclusive em quantidade de músculos) ícones do cinema de ação e um dos líderes de bilheteria da década de 1980.

Desde 2006, quando chegou aos 60 anos, Stallone experimenta uma ressurreição em sua carreira graças ao retorno de suas duas franquias mais famosas, com "Rocky Balboa" e "Rambo 4", que acaba de estrear nos cinemas brasileiros.
O escândalo que era ter um sessentão interpretando um boxeador profissional não passou despercebido a Stallone, que pontuou o último "Rocky" com piadas sobre seu envelhecimento. Mas, ao reencarnar John Rambo, o ator ignorou qualquer referência aos anos.

"Rocky é um atleta, e a idade é algo muito importante para um atleta. Rambo é um soldado, então não acho que ele pense sobre idade da mesma maneira, porque o que você não pode fazer fisicamente, uma arma pode ajudá-lo a fazer", disse o ator, em entrevista exclusiva à Folha por telefone.
"Também achei que não podia ficar fazendo referências à idade em todos os filmes, até porque as pessoas estão mudando e isso não é mais algo relevante como era há 20 anos."

Selvageria e realismo

Na volta ao papel do guerrilheiro das selvas, Stallone aumentou a violência gráfica na tela --isso em uma carreira com filmes como "Cobra", que chegou a ser censurado no Brasil--, o que lhe valeu críticas pesadas.
"Enquanto falamos, Mianmar [cenário de 'Rambo 4'] está passando por um genocídio. Tudo que acontece no filme é documentado, a realidade é ainda pior. Tive que escolher entre fazer um filme bastante realista e selvagem ou apenas um filme de ação que não contaria a história toda."

Críticas à parte, o filme sacramentou a volta de Stallone ao estrelato --ele custou estimados US$ 50 milhões (cerca de R$ 84 milhões) e já faturou mais do que o dobro disso no mundo todo, repetindo o sucesso do último "Rocky" (US$ 24 milhões de orçamento, US$ 150 milhões de faturamento).
Para o ator, os resultados mostram que havia "um vácuo a ser preenchido, um público que não estava sendo atendido". A criação deste vácuo, Stallone atribui à vaidade alheia.

"Os atores não querem mais ser musculosos, não dedicam o tempo necessário para ter o físico e também não querem ficar estereotipados. É uma mentalidade completamente diferente, os anos 80 e 90 foram muito físicos, esta geração é mais intelectual, técnica."

Goleiro de Pelé

Lembrando do passado, o ator comentou sua atuação ao lado de Pelé, em "Fuga para a Vitória" (1981), no qual fazem jogadores de futebol prisioneiros na Segunda Guerra.

"Pelé me mostrou quão difícil o futebol é. Eu era o goleiro e ele cobrou alguns pênaltis, usamos bolas da Segunda Guerra, muito pesadas. Teve um chute dele em que a bola bateu no meu braço, foi tão forte que eu achei que tinha quebrado."
Sobre a atuação do Rei, uma ponta de ironia. "Achei ele ok como ator. Tudo que ele precisou fazer foi agir como um jogador de futebol, e me pareceu convincente no papel."

Mais do mesmo

Com a carreira revigorada, Stallone voltou a fazer planos de longo prazo e diz que pretende se dedicar à direção.
"Há um ponto em que você começa a se repetir como ator. É muito difícil criar algo novo quando você já faz aquilo há muito tempo", diz.

Antes de se tornar exclusivamente diretor, no entanto, ele assinou contrato para atuar em pelo menos mais dois filmes --e, dada a dificuldade de criar "algo novo", vai apelar para os velhos papéis de sempre.
"Comprei os direitos do livro 'The Lion's Game', de Nelson DeMille [sobre um policial contra um terrorista], e há um roteiro sendo feito. Também há outro roteiro sobre um ex-motoqueiro do Hell's Angels, que sai da prisão, além da idéia de refazer 'Desejo de Matar'."

Folha de S.Paulo
Edmrocky by Edmundo Falcão.
Edmrocky 2008, Sly news.

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