domingo, novembro 15, 2009

Confira a crítica sobre Rambo do fã José Cabral, vencedora de promoção da Globo on-line

José Roberto Cabral (foto acima) é um fã de Sylvester Stallone. Nesta semana ele me enviou um e-mail e me passou as seguintes informações: Na época do lançamento de Rambo IV aqui no Brasil, ele participou de uma promoção do site da Globo on-line, aonde o fã teria que escrever um crítica sobre a série. O dono do melhor texto iria assistir a pré-estreia do longa no Rio de Janeiro. A melhor resposta foi escolhida com a colaboração do crítico do jornal O Globo, Rodrigo Fonseca, e o vencedor foi o José. Agora, resolvi postar este texto por que tenho a certeza que ele retrata muito bem o que os outros fãs do personagem sentem.

"Quando se é fã histórico de Stallone e da saga do amargurado Rambo, escolher um "capítulo" predileto torna-se quase impossível porque desenvolve-se uma relação afetiva intensa e de visceral lealdade ao personagem, que vai muito além de um mero ícone de ação. Apesar de ser um personagem cru e violento, ele é no fundo um libelo anti-belicista, uma licença poética contra as mazelas da guerra, sua inutilidade e acima de tudo contra as seqüelas sociais e psicológicas que a guerra deixa como um legado de dor, amargura, desajustamento e solidão. Rambo não quer ser herói. Não quer lutar. Não quer matar. Quer viver em paz, apenas isso. Assim como eu e você. Por isso ele deixa de ser apenas um elemento de ficção para elevar-se acima do patamar comum dos heróis de ação, passando a co-existir com nossas próprias personalidades dentro de nossas almas. Apesar de talvez relutantes, todos lutamos - todos temos nossas cicatrizes. Todos enfrentamos nossas próprias guerras, pessoais e intransferíveis. Algumas contra o mal que o mundo muitas vezes quer nos fazer, outras contra nossas próprias fraquezas interiores, nossos mais profundos medos - que temos que combater sempre que o silêncio e a escuridão se apoderam de nós. Rambo, portanto, não é um "outro" separado de nós - é um estado de ser de nós mesmos, uma espécie de alter-ego nosso que combate nas trincheiras da vida junto conosco. Como ele, somos sempre obrigados a lutar uma guerra sem fim em busca de nossa paz interior, sempre perseguida mas nunca alcançada. E é nesse contexto que "First Blood" (título original) ou o primeiro "Rambo-Programado para Matar", conforme rebatizado no Brasil, desponta como meu predileto, por mostrar sem pudores ou os americanismos típicos desse tipo de enredo (que inclusive de certa forma contaminaram os dois filmes posteriores da saga) o sofrimento interior de quem é usado, traído, não reconhecido e abandonado à própria sorte por uma sociedade cruel, injusta e maniqueísta. Somos todos soldados em busca da paz na guerra pela sobrevivência que travamos dia-a-dia nesse mundo que tanto nos exige e que tão pouco nos dá. Por isso é um alento em meio à dor da guerra sabermos que não estamos sós. Temos, desde o primeiro "Rambo", um irmão em armas, que agora, mesmo que longos vinte anos depois, retorna das cinzas para mostrar que ainda é o Senhor da Guerra, e que nem o tempo, nem as rugas, nem as marcas da vida apagaram seu juramento de que mesmo no campo de batalha mais sangrento não se deixa companheiros feridos para trás."

José Roberto, 48 anos, é colunista do Jornal de Brasília. É fã de Stallone desde que assistiu ao primeiro Rocky (1976), nos cinemas. Na época ele só tinha 15 anos. Stallone passou a ser para ele um exemplo de vida, não só um ator. Ele também é fã do Rambo, e assim como todos nós, também está empolgado pelo quinto filme da série que sai em 2011 nos cinemas. Valeu José!

Edmundo Falcão/José Cabral

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